Independência da América Espanhola: causas, processo e consequências

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A independência da América espanhola

No decorrer do século XVIII, o sistema colonial implementado pelos espanhóis na América passou a sofrer importantes transformações, fruto do envolvimento metropolitano nas guerras europeias e da crise da mineração.

O novo colonialismo

O Tratado de Utrecht (1713) foi uma decorrência da derrota da Espanha na Guerra de Sucessão Espanhola, sendo forçada a fazer concessões à Inglaterra, garantindo-lhes a possibilidade de intervir no comércio colonial através do asiento (fornecimento anual de escravos africanos) e do permiso (venda direta de manufaturados às colônias).

Esse tratado marca o início da influência econômica britânica sobre a região e, ao mesmo tempo, o fim do monopólio espanhol sobre suas colônias na América.

Se os direitos reservados aos ingleses quebravam o pacto colonial, a Espanha ainda manteve o controle sobre a maior parte do comércio colonial, assim como preservou o controle político, porém foi obrigada a modificar de maneira significativa sua relação com as colônias, promovendo um processo de abertura.

As principais mudanças adotadas pela Espanha foram:

A abolição do sistema de frotas e a abolição do sistema de porto único, tanto na metrópole como nas colônias, pretendendo dinamizar o comércio, favorecendo a burguesia metropolitana e, indiretamente, o próprio Estado. Na América foi liberado o comércio intercolonial (desde que não concorresse com a Espanha) e os criollos passaram a ter o direito de comercializar diretamente com a metrópole.

As transformações nas colônias

As mudanças efetuadas pela Espanha em sua política colonial possibilitaram o aumento do lucro da elite criolla na América; no entanto, o desenvolvimento econômico ainda estava muito limitado por várias restrições ao comércio, pela proibição de instalação de manufaturas e pelos interesses da burguesia espanhola, que dominava as atividades dos principais portos coloniais. Os criollos enfrentavam ainda grande obstáculo à ascensão social, na medida em que as leis garantiam privilégios aos nascidos na Espanha. Os cargos políticos e administrativos, as patentes mais altas do exército e os principais cargos eclesiásticos eram vetados à elite colonial.

Soma-se à situação socioeconômica a influência das ideias iluministas, difundidas na Europa no decorrer do século XVIII e que tiveram reflexos na América, particularmente sobre a elite colonial, que as adaptou a seus interesses de classe, ou seja, a defesa da liberdade frente ao domínio espanhol e a preservação das estruturas produtivas que lhes garantiriam a riqueza.

O movimento de independência

O elemento que destravou o processo de ruptura colonial foi a invasão das tropas de Napoleão Bonaparte sobre a Espanha; no entanto, é importante considerar o conjunto de alterações ocorridas tanto nas colônias como na metrópole, percebendo a crise do Antigo Regime e do próprio sistema colonial, bem como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa.

A resistência à ocupação francesa iniciou-se tanto na Espanha como nas colônias; nestas, a elite criolla iniciou a formação de Juntas Governativas, que em várias cidades passaram a defender a ideia de ruptura definitiva com a metrópole. Como vimos, para essa elite a liberdade representava a independência, e foi essa visão liberal iluminista que predominou.

Assim como o movimento de independência das colônias espanholas é tradicionalmente visto a partir dos interesses da elite, costuma-se compará-lo com o movimento que ocorreu no Brasil, destacando-se:

  • a grande participação popular, porém sob liderança dos criollos;
  • o caráter militar, envolvendo anos de conflito com a Espanha;
  • a fragmentação territorial, processo caracterizado pela transformação de uma colônia em vários países livres;
  • a adoção do regime republicano, exceção feita ao México.

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